Ana Bola revoltada com RTP. “Não sabemos se o ‘DDT’ vai continuar. Estamos à espera”

O programa de humor emitido pela RTP1 desde há três anos tem permanência garantida na estação pública até dezembro. A cerca de meia dúzia de semanas do final do ano, os atores que o integram ainda não sabem se “DDT – Donos Disto Tudo” é para continuar.

Ana Bola não esconde a sua revolta por, a esta altura do ano, ainda não ter sido informada, bem como os restantes elementos do formato de humor, se este vai continuar em antena. “Está previsto até fim de dezembro. (…) Neste momento, ninguém sabe se continua. É um bocadinho ingrato porque temos de ter um plano B. (…) Parece-me só um bocadinho estranho que, nesta altura do campeonato, não tenhamos nenhuma novidade”, atirou a atriz em entrevista à revista “TV7 Dias”.

A humorista, que interpreta o programa ao lado de Eduardo Madeira, Gabriela Barros, Joaquim Monchique, Manuel Marques e Pedro Luzindro, diz que gostava de já ter recebido “um telefonema” da parte da direção de programas da estação pública. “Tenho imenso apreço pelo diretor [de programas] da RTP, pelo [José] Fragoso – como tinha, de resto, pelo Nuno Artur [Silva] -, mas isto é uma constante na RTP. Não é caso único”, conta Ana Bola, recordando que “as pessoas estão penduradas até ao fim dos contratos, sem saberem se vão ter programa”. “Não consigo perceber isto. É assim que estamos e é assim que se trabalha. Sem rede”, continua.

“Se não tivermos trabalho em janeiro, temos de ir fazer outra coisa qualquer, nem que seja servir à mesa, aviar copos… já aconteceu a quase todos nós”

À mesma publicação, a atriz, de 66 anos, admite que gostava que “as coisas” fossem “diferentes”, que houvesse “um bocadinho mais de respeito por pessoas que estão a trabalhar há anos no mesmo projeto”.

“Chegamos à triste conclusão que não. Que é mesmo assim. Faz parte. Eu não me conformo e os meus colegas também não. Não nos conformamos. O que me parece é que está instituído que é assim e quem quiser quer, quem não quiser, não quer”

Ana Bola olha para este período da sua vida como “o pior” e admite sentir-se desiludida com a televisão. “Sabia que nunca ia ser um mar de rosas (…), mas nunca imaginei que iam piorar a este ponto de não se saber se há trabalho, de se ganhar menos do que se ganhava há 20 anos… É sempre a piorar”.

TEXTO: Ana Filipe Silveira

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