O coronavírus chegou para ficar e, com as pessoas em casa, aumentou o consumo de Televisão. Mas há programas cancelados. Diretores explicam que medidas serão tomadas.
São os “dois lados da moeda”. Se, por um lado, as audiências televisivas “dispararam” na semana passada devido à permanência dos portugueses em casa, receosos do “Covid-19”, os três canais generalistas viram-se obrigados a suspender ou mesmo cancelar programas, como os “Amigos Improváveis – Famosos” (SIC), o “Big Brother 2020” na TVI ou o “Quem Quer ser Milionário”, da RTP1.
Desde o início da semana mais de 600 mil pessoas viram televisão do que é habitual, mas os programadores já fazem contas a como preencher a grelha onde, neste momento, impera a Informação sobre a pandemia.
“Há um aumento de consumo que está diretamente ligado ao facto de haver mais público em casa. O resultado do programa do Ricardo Araújo Pereira no domingo (18.7 por cento de rating e 30.2 de ‘share’) merece um sublinhado especial, até porque me parece que dele é possível inferir a importância para as pessoas de que a vida seja mais do que o Covid-19 e que por instantes nos esqueçamos que a nossa vida está tomada por isso”, diz Daniel Oliveira, diretor-geral de Entretenimento da SIC, à N-TV.
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“Sim, é evidente que as pessoas neste momento têm uma necessidade premente de estarem informadas e de se entreterem, e nestas alturas a televisão é o meio que todos procuram. A prova disso são as audiências dos últimos quatro dias das televisões FTA (em sinal aberto) sendo que no domingo passado foram batidos todos os recordes desde que a medição das audiências é feita pela GFK (a empresa que mede audiências)”, sublinha Nuno Santos, diretor de Programas da TVI, que tem a concordância do homólogo da RTP: “Os programas como o ‘A Nossa Tarde’ ou ‘O Preço Certo’ estão com o dobro da audiência e o Fernando Mendes teve mais 200 mil pessoas num dos últimos programas”, contabiliza José Fragoso.
Mas o aumento de audiência não significa o aumento das receitas. É que inúmeros programas foram cancelados. “O consumo de televisão aumentou, mas de acordo com todas as previsões de especialistas avista-se uma crise económica e financeira à escala mundial, com consequente retração das economias e do consumo, não se prevendo assim de modo nenhum um aumento de receitas”, destaca Nuno Santos.
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“A avaliação dos impactos está a ser atualizada diariamente, consoante os novos dados de que vamos dispondo, pelo que é prematuro fazer uma correlação mais aprofundada entre causas e consequências. Na SIC, os pilares de programação vão manter-se estáveis, sem oscilações de relevo na oferta. Estamos a trabalhar no sentido de adaptar, se vier a revelar-se necessário, algumas das apostas já definidas para a segunda metade do ano”, acrescenta Daniel Oliveira.

Também a TVI vai mexer na sua programação: “Neste momento temos a produção de ficção suspensa, temos os programas de grande entretenimento adiados e temos uma reformatação dos programas diretos de ‘daytime’. É um trabalho exaustivo e permanente de monitorização da situação e por isso vamos agindo com vários planos de curto e médio prazo”, informa Nuno Santos.
Na RTP tudo, ou quase tudo, já mudou. “Temos tudo preparado para acompanhar a população ativa. Reduzimos os espaços de música e aumentámos a ginástica ou a culinária, em direto e sem público, com o Jorge Gabriel, a Sónia Araújo e a Tânia Ribas de Oliveira e damos informações úteis aos consumidores. Tudo vai passar pela boa informação. Isto é um claro exemplo de serviço público que a RTP tem de fazer. Os orçamentos só serão feitos lá mais para a frente”, remata José Fragoso.








