Catarina Furtado viaja para o Uganda

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Catarina Furtado partiu para o Uganda, para novas gravações do programa da RTP1 “Príncipes do nada”.

A apresentadora viajou para o país africano que mais refugiados recebe e é um dos mais pobres do Mundo.

“Vamos fazer várias reportagens para o ‘Príncipes do nada’. Lá há malária, mas se tenho esses receios não sou a pessoa indicada para ir”, refere à N-TV. “Tenho as vacinas, não sou inconsciente”. A família está sempre pronta. “Eles também já estão vacinados”, brinca.

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Amo o meu país mas o meu país não é apenas o meu mundo.O meu mundo é maior e não tem mesmo fronteiras. Quando falamos de dor e de amor, falamos todos a mesma língua. Hoje, aqui no Uganda eu e a minha equipa dos @principesdonada visitámos uma escola construída apenas com o esforço, sacrifício e a solidariedade da comunidade de refugiados congoleses que tiveram de fugir para o Uganda. São neste momento cerca de 900 mil. Conheci a Sifa de 20 anos que se estava a fazer de forte enquanto me dava o seu testemunho, mas assim que lhe perguntei quem era a sua inspiração para que conseguisse ter esperança todos os dias e superasse as saudades do seu país (e de uma escola com todas as condições), descontrolou as lágrimas “a minha mãe que me ensinou tudo e era uma mulher muito forte. Deixei de acreditar em sonhos e sei que o significado de refugiado é alguém que não tem mesmo nada, que não vale nada!” A mãe e o pai de Sifa foram mortos há um ano nos conflitos armados na RDC. Veio para o Uganda com o irmão, cunhada e sobrinhos. Pedi-lhe ao ouvido que acreditasse nas suas competências já que é uma excelente aluna. Abraçou-me com força, em silêncio…Conversei também com Isaiah,de 15 anos, que, num inglês fantástico, autodidata, fruto das conversas que mantém nas redes sociais com “amigos“ de todo o mundo, me disse “é à minha mãe(também ela morta pela guerra) que me agarro para prosseguir a vontade de, um dia, vir a ter uma profissão ligada à informática!”Mas a escola, construída por um refugiado congoles, que foi torturado e perseguido por ser activista dos direitos humanos, Douglas Bulongo, com dinheiro próprio fruto do seu ordenado enquanto advogado, tem um corpo docente muito empenhado mas não garante muitos recursos e meios, inclusivamente computadores, para quem, por exemplo como Isaiah, sonha com tecnologia. A professora Nathalie tem 33 anos, também ficou órfã da guerra (os pais viviam bem na República Democracia do Congo mas o stress provocado pelo medo, ameaças e insegurança, levou-os à morte). O marido foi raptado em 2014 e Nathalie ficou com os 4 filhos. Ha 3 anos teve de fugir, de um momento para o outro e nesse dia *cont. nos comentários*

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A cada viagem, a miséria e a fome abalam a apresentadora. “A crise dos refugiados está cada vez mais aguda e a Europa tem grandes responsabilidades. Vi enfermeiros e professores que estão numa tenda miserável a dormir com ratazanas, quando tinham em suas casas todo o conforto digno”, conclui.