Eduardo Madeira: “Há uma nuvem a pairar sobre os atores”

Eduardo Madeira
Fotografia: Instagram Eduardo Madeira

O guionista e intérprete da RTP vai lançar, esta quinta-feira, “O Infame Dicionário Cómico de Língua Portuguesa”, uma obra que contém “definições imprecisas” do nosso léxico. Até lá, Eduardo Madeira gostava que a Covid-19 deixasse os portugueses e a Cultura em paz.

Escritor e guionista há mais de 20 anos, Eduardo Madeira regressa à escrita com “O Infame Dicionário de Língua Portuguesa”, que vai ser lançado na próxima quinta-feira, 2 de julho, em direto do Instagram do artista.

A obra, que o autor e guionista da série da RTP1 “Patrulha da Noite” define como “hedonista”, “sensual” e “descomprometida” é ficcionada e parte dos dicionários ditos sérios para os subverter totalmente.

Na letra “E”, de Eduardo, por exemplo, as definições são divertidas: “Escritor” – “pessoa que insiste em nos dar a conhecer os seus problemas em livro” – ou “Emigrante” – “português que trabalha no estrangeiro e se veste à jogador da II Divisão”.

Bruno Nogueira já leu o livro e não teve dificuldades em qualificá-lo: “Como se pode comprovar com este livro, o Eduardo consegue construir palavras com letras. Curiosamente não consegue fazer o mesmo com números. É isso que, aos meus olhos, o separa de uma pessoa com talento”, brinca.

Em entrevista à NTV, Eduardo Madeira recorda como chegou a este dicionário. “É um sonho antigo. Há dez anos fui raptado para a representação, mas já escrevia há muito tempo. Uma vez, na biblioteca antiga da casa de um tio, encontrei um dicionário cómico. Aquilo maravilhou-me, mas nunca mais o vi. Há dois anos estava no aeroporto a comprar jornais para a viagem e estava lá uma reedição do dicionário cómico do Vilhena (n.r.: José Vilhena, o ‘pai’ do humor português). Foi uma delícia. Fui investigar e saiu esta coisa”, resume o ator.

Depois deste dicionário, deve seguir-se um espetáculo ao vivo. “Sim, tudo aponta que isso vá acontecer”, acrescenta Eduardo Madeira, que, como a maioria dos portugueses, passou os últimos meses fechado em casa, por causa da Covid-19.

“Consegui manter a minha loucura criativa controlada. Isto não foi bom para ninguém. Há uma nuvem negra a pairar sobre todos nós e particularmente por cima dos atores. Tenho inúmeros projetos para fazer, mas como diz a minha editora e a minha agência só os podemos fazer quando a Direção-Geral da Saúde destrancar isto”, conclui Eduardo Madeira.

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