Entrevista a Luís Maia, repórter criminal da SIC: “Já me apontaram uma caçadeira e tentaram atropelar-me”

SIC
Fotografias: Gentilmente cedidas por Luís Maia

Poucos dias depois de Portugal ter tido dois assassinos à solta, Luís Maia, repórter criminal da SIC, conta como é acompanhar os assuntos de “sangue” para a estação de Carnaxide.

Quarta-feira foi um dia inédito no crime em Portugal. Raramente dois assassinos estão à solta em simultâneo, mas foi o que aconteceu com Henrique Carvalho, o homicida da mulher, em fuga, na zona de Lamego, e o espanhol que mutilou um homem de 50 anos e amarrou a mulher em Ponte de Lima e que se atirou de uma ponte na província de Pontevedra, em Espanha.

Habituado a seguir este género de crimes, Luís Maia, repórter criminal da SIC, revela, em entrevista à N-TV, porque estes temas lhe suscitam o interesse. “Nunca me levanto da cama com a sensação de que o dia de trabalho será um suplício. Os temas com os quais lido todos os dias são duros, as pessoas com quem me cruzo nas reportagens estão, geralmente, no fio da navalha, sensíveis e acabaram por passar por situações avassaladoras. Sob o ponto de vista emocional chega a ser violento para mim como repórter. Mas o foco está no trabalho que tem de ir para o ar, na denúncia que tem de ser feita, no serviço público que fazemos, apesar de trabalharmos num canal privado. E apesar da violência dos sentimentos que referi, consigo deixar o peso da reportagem à porta de casa, quando regresso para perto da minha família”, começa por referir Luís Maia, que não tem dúvidas em recordar o crime que acompanhou e mais o marcou. “Há uns quatro ou cinco anos, um homem que matou o filho, de cerca de um ano, com uma facada no peito. Na altura, o meu filho era pouco mais velho do que a vítima. Fiquei com um nó na garganta, de tanta revolta. Soube, por exemplo, que antes de matar o menino o homicida tinha mandado um vídeo à mãe da criança no qual se exibia com uma faca na mão, junto ao bebé, anunciando aquilo que faria de seguida. Como pai, custou-me muito contar aquela história. Naquele direto, o discurso não me saiu com a fluência do costume”.

Os sobressaltos que já viveu contam-se pelos dedos das mãos. “Já me apontaram uma caçadeira, armas brancas, já me tentaram atropelar, atiraram-me pedras, garrafas e também já me tentaram bater. Felizmente nunca me acertaram… até hoje!”

Na rua, Luís Maia conta, em estúdio, com as deixas de Hernâni Carvalho. “Trabalhamos juntos há muitos anos. Obviamente aprendi bastante com ele e se há profissional que merece o meu respeito, é ele. Mas o Hernâni vale pela pessoa que é e pelo amigo que tem sabido ser”, elogia, à despedida.