A uma semana da final do “reality show” da TVI, a N-TV entrevistou a psicóloga e comentadora do “Extra”, Teresa Paula Marques.
Numa altura em que se ficaram a conhecer três dos finalistas do “Big Brother 2020” – Soraia, Diogo e Sandrina -, a N-TV faz um balanço com a psicóloga Teresa Paula Marques, que ficou conhecida na televisão no programa da SIC “Supernanny”. “Os concorrentes são uma micro-sociedade portuguesa”, diz, em entrevista.
Como está a correr a sua experiência na TVI?
A minha experiência na TVI está a correr muito bem. Fui muito bem acolhida por esta equipa, o ambiente é muito bom entre os comentadores e também com os produtores do programa. Aliás, se assim não fosse eu não continuaria no projeto uma vez que para mim é fundamental sentir-me bem pois só deste modo consigo dar o meu melhor.
O desafio para si é ter um programa com uma ampla área da Psicologia para analisar?
Os concorrentes do “Big Brother” são uma micro-sociedade portuguesa, isto é, representam-nos a todos. Daí que alguns se identifiquem mais com um determinado concorrente e o defendam, enquanto que outros lhe teçam as maiores criticas. Depois temos este grupo fechado numa casa e obrigado a conviver mesmo com aqueles com as quais não têm o mínimo de empatia… este é um processo que qualquer psicólogo gosta de observar. Existem confrontos, intrigas, paixões, ódios, desgostos, … ou seja, uma enorme panóplia de emoções que me cumpre comentar. Não comento pessoas, mas sim comportamentos, embora com a salvaguarda de que não conheço os concorrentes pessoalmente de forma a poder fazer uma análise fidedigna. Limito-me a observar o comportamento que eles manifestam, ainda que muitas vezes este seja fruto de estratégia de jogo.
Acha que os concorrentes, por terem idades e feitos diferentes, experiências diversas, dão mais interesse ao jogo?
Claro que sim. Se fossem todos semelhantes o programa deixaria de ter interesse. Nesta edição do “BB” os concorrentes têm levantado questões como a homofobia, a xenofobia, o “body shaming”, o veganismo, o feminismo, a doença mental, a violência domestica… que levaram a que estas temáticas fossem discutidas, não só entre os concorrentes mas também cá fora. Penso que este foi um ponto muito positivo, já que resulta muito mais uma abordagem deste tipo do que qualquer campanha.

Desta vez não se vê aquele homem musculado ou mulher com silicone típicos de outros “reality”. Acha uma mais-valia para este “Big Brother”?
Neste “BB” os concorrentes são diferentes. É possível que reflita também a existência de mudanças na nossa sociedade, ou seja, que estejamos a deixar para trás essa época “dos músculos e do silicone” e a direcionarmo-nos para uma época em que cada pessoa é aceite tal e qual é, sem precisar de encaixar num modelo único de beleza e elegância. Aliás, como eu já disse anteriormente, uma das temáticas abordadas pelos concorrentes foi o “body shaming”.
Finalmente, sobre o tema, temos assistido a algum “bullying” sobre Noélia e Diogo com constantes ataques ou a algum “bodyshaming” sobre Soraia. Estes fatores podem influenciar ou condicionar os telespectadores?
É possível que influenciem no sentido em que posicionam estes concorrentes no papel de vitimas, sendo os outros os vilões. Em muitos dos “BB” anteriores ganharam pessoas que, de algum modo foram vitimas (ex: o Zé Maria) , portanto estou muito curiosa para ver se o padrão se vai manter…
Sobre a “Supernanny”. Apesar de não ter continuado em antena na SIC, acha que seria pedagógico para os pais e filhos?
Sem dúvida alguma. Só assim se justifica que o programa continue a ser exibido em 15 países.








