Tina Turner revelou alguns dos segredos mais surpreendentes da sua vida. Num testemunho emocionante, a cantora norte-americana recordou os problemas de saúde que sofreu, o momento em que quis submeter-se à eutanásia e ainda a atitude corajosa do marido para a impedir de avançar com essa decisão.
No livro de memórias “My Love Story”, Tina Turner, atualmente com 78 anos, explica que em 2013, pouco tempo depois de se casar com Erwin Batch, os problemas de saúde surgiram em força. Primeiro, um derrame que a obrigou a tomar fortes medicamentos para conseguir recuperar e que acabaram por lhe afetar os rins. Mais tarde, cancro no intestino.
Depois do diagnóstico, a cantora teve de se submeter a uma cirurgia para remover um pedaço desse órgão, mas a intervenção cirúrgica veio piorar ainda mais o estado débil no qual já se encontravam os seus rins. A partir desse momento, restavam duas opções à norte-americana, diálise regular ou um transplante.
“Só um transplante me daria a oportunidade de levar uma vida normal, mas as hipóteses de encontrar um dador compatível eram muito poucas”, explica a cantora no mesmo livro, acrescentando que a partir desse momento o suicídio assistido lhe passou mesmo pela cabeça.
“Comecei a pensar na morte. Se os meus rins estavam a parar e era a hora de morrer, eu poderia aceitar isso. Não me importava morrer, mas preocupava-me a ideia de como iria morrer”, diz ainda a artista.
A morar na Suíça há alguns anos, país onde a eutanásia é legal, Tina confessa que chegou mesmo a inscrever-se numa organização que facilita esse processo, mas não conseguiu reunir a aprovação do marido, que, motivado pelo amor que lhe sente, ofereceu-se para ser ele o dador de rim que a cantora tanto necessitava.
“Disse que não queria outra mulher ou outra vida, que nós éramos felizes e que faria qualquer coisa para ficarmos juntos”, revela Tina Turner. As palavras de Erwin deixaram-na em choque. “Disse que me queria dar um dos seus rins (…) A minha primeira resposta foi tentar que ele desistisse da ideia de dar um passo tão sério e irreversível”.
Ainda assim, o marido conseguiu convencê-la a aceitar a proposta que lhe tinha feito. Depois de um longo processo o transplante veio mesmo a realizar-se, no dia 7 de abril de 2017, na cidade de Basileia, na Suíça.
“A minha aventura médica está longe de acabar. Mas ainda estou aqui. Nós os dois ainda estamos aqui, mais próximos do que imaginávamos e isso é motivo de celebração”.
TEXTO: Duarte Lago (Com NA)