Aos 76 anos, ela continua a ser um dos ícones da ficção brasileira. Até julho do ano passado, os portugueses viram-na em “A Força do Querer”, na SIC, mas por mais anos que passem o seu papel em “Tieta” continua na memória coletiva.
Betty Faria não esconde o seu orgulho em saber que “Tieta” está de novo em Portugal. Uma novela especial, transmitida com sucesso no canal Globo, com uma personagem especial que lhe foi entregue de bandeja por Jorge Amado, o autor do romance que deu origem à trama. Leia as declarações dadas por escrito, em exclusivo à N-TV, pela atriz, que conta já com quase 55 anos de carreira.
Vinte e oito anos depois, “Tieta”, inspirada no romance de Jorge Amado, voltou à televisão em Portugal, com reposição no canal Globo. Como é que recebeu esta notícia?
É uma alegria, uma felicidade. É um orgulho saber que “Tieta” está sendo exibida novamente. Aqui no Brasil a novela acabou de ser exibida recentemente, no canal Viva, foi líder de audiências. “Tieta” foi a reposição que registou maior audiência e, por isso, eu tenho muito orgulho. Vi vários capítulos da novela e ela é realmente muito boa, é um trabalho muito bonito, muito bom, o texto é primoroso. É uma obra maravilhosa, tenho muito orgulho de poder mostrar esse trabalho noutro país.
“Tieta” é ainda hoje uma das novelas mais acarinhadas e recordadas pelos portugueses. Que recordações é que guarda daquele tempo?
Se for falar de recordações da novela vou ter de escrever um livro [risos]! Desde o facto de “Tieta” ter sido dada para mim, dedicada a mim. Foi velho Amado num jantar em Londres oferecido por ele. Eu fui, e nessa altura Jorge Amado estava escrevendo um livro. E ele disse: “Estou escrevendo um personagem que daqui a alguns anos vai ser perfeito para você”. Então “Tieta” quem me deu foi velho Amado. Ele é que me indicou. Foi uma honra, era meu mesmo! Já começa aí, são muitas recordações. E Paulo Ubiratan, meu diretor, que colocou “Tieta” no ar, que dirigiu, meus colegas… enfim, são tantas recordações. E recordações do sucesso de “Tieta” no mundo. No Brasil, no México, em Angola… muitos lugares em que ela passou foi um sucesso, e agora de novo em Portugal. É um encantamento.
Reveja o regresso de “Tieta” a Santana do Agreste, acompanhado da música de Fafá de Belém que fazia parte da banda sonora original da novela
Com mais de 50 anos de carreira, a Betty já fez de tudo: mais de 25 novelas, mais de duas dezenas de séries televisivas, mais de vinte filmes no cinema. Carreira mais recheada é difícil. E, no entanto, o papel de Tieta ficar-lhe-á sempre colado à pele. Isso é prazeiroso ou às vezes é um fardo?
Não é um fardo. Tenho um grande orgulho em atuar, com uns autores mais do que com outros, porque alguns diretores dão-me liberdade total.
Aquele misto de drama (com a saída escorraçada de Santana do Agreste) e de amor (com a paixão proibida com o “padreco”) é, quanto a si, a razão do sucesso intemporal de “Tieta”?
Portugal recebeu muito bem a novela quando ela foi exibida pela primeira vez. Foi um grande sucesso, o povo português adorou. No início estranhou um pouco a relação da tia com aquele padreco, aquele sobrinho, mas depois habituaram-se e compraram inteiramente.
No elenco surgem nomes de grandes atores, alguns deles já falecidos, Yoná Magalhães, que fazia de sua mãe, a inesquecível Tonha, Armando Bógus (o Modesto Pires). Recorda-os com saudade?
O Aguinaldo Silva fez uma adaptação genial do texto de Jorge Amado, muito moderno, muito atual, muito bem feito. Tenho saudades de várias pessoas que fizeram “Tieta” comigo. Desde o Paulo Ubiratan, que era o diretor, a vários outros colegas meus, como o Armando Bógus. Mas muitos outros também.
O que é certo é que os portugueses se apaixonaram por si em 1989. Como é a sua relação com Portugal?
Quero aproveitar e mandar um beijo para todo o povo português. Fiz amigos, já estive várias vezes em Portugal trabalhando, conheci muitas pessoas. Gostaria muito de voltar, mas de momento não vou poder devido a compromissos profissionais.
Fazer novela continua a dar-lhe o mesmo prazer ou sente já algum cansaço?
No dia em que for uma rotina eu mudo de profissão. Recentemente participei na novela “A Força Do Querer” e foram momentos de muita alegria, de muito prazer.
TEXTO: Nuno Azinheira









