Manuel Luís Goucha continua sem conseguir “castigar a frustração” que sente “por não ter sido capaz de perceber” que uma figurante do programa que apresenta “precisava de ajuda”. Esta terça-feira, o anfitrião do “Você na TV” prestou-lhe uma homenagem e não conteve a emoção durante o tributo.
Foi com a voz embargada que o parceiro de Cristina Ferreira falou abertamente sobre Almerinda, uma das mulheres que todas as manhãs ocupava a assistência do “talk show” matinal da TVI e que morreu vítima de meningite bacteriana.
“Hoje, várias vezes olhei para aqui [aponta para a plateia] e vejo alguém que fazia parte deste programa e que tem uma história maravilhosa. Era a Almerinda”, começou por dizer Manuel Luís Goucha na emissão desta terça-feira do “Você na TV”.
O apresentador lembrou que a figurante “se levantava às quatro da manhã para ir fazer limpeza num escritório” e que, depois, seguia para Queluz de Baixo, onde está sediada a TVI. “Inicialmente, até vinha a pé”, confidenciou.
Depois de explicar a história que o unia a Almerinda – “Um dia, ela leva a mãe à ‘Praça da Alegria’ para me conhecer, [mas] eu já tinha saído do programa e da RTP. Este desgosto foi tão grande para a mãe que a Almerinda jurou a si mesma que seria nossa colega de trabalho em homenagem à mãe” -, Manuel Luís Goucha emociona-se, em silêncio, quando pretende falar sobre os últimos dias que partilhou com ela.
Já recomposto, a estrela da TVI retomou o seu raciocínio: “Adoeceu aqui e nós vimo-la mal durante 15 dias. Mas ela ia-se desculpando, [dizendo] que estava com um desarranjo intestinal, que era por alguma coisa que tinha comido…”
Goucha diz-se “muito incomodado com esta história”. E concretiza: “Acho que fui um bocadinho agressivo quando, no último dia, lhe disse: ‘Não pode estar aqui. Tem de pedir ajuda’. Não consigo castigar essa frustração. Ela entrou em coma passado um dia e não saiu do coma.”
A homenagem terminou com o anfitrião do “Você na TV” a pedir um aplauso para Almerinda, que se estende por alguns segundos. “Vamos dar-lhe uma salva de palmas, porque ela toca-nos”, concluiu, já de pé.
TEXTO: Dúlio Silva