Kim Kardashian pede libertação dos irmãos Menendez

Socialite assinou um artigo de opinião a pedir a libertação dos irmãos
[Fotografia: Mike Coppola / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP]

Na década de 1990, Erik e Lyle Menendez foram condenados à prisão perpétua pelo homicídio dos pais. Kim Kardashian defende a libertação dos irmãos, alegando que “não tiveram chance de um julgamento justo”.

O caso remota ao verão de 1989, quando o empresário José Enrique Menendez e a mulher, Mary Louise “Kitty” Andersen, foram assassinados com tiros de caçadeira na sua casa em Beverly Hills, na Califórnia. Seguiram-se meses de investigação, até que a polícia conclui que os filhos do casal, Lyle, de 21 anos, e Erik, de 18, tinham sido os autores do crime. O estilo de vida ostentoso denunciou os jovens, levando a acusação a acreditar que os irmãos foram movidos por motivos financeiros.

Em 1996, Lyle e Erik Menendez, que alegaram ter sido vítimas de abusos sexuais desde a infância, foram condenados a prisão perpétua sem possibilidade de de liberdade condicional. A história inspirou a segunda temporada da série “Monstros”, da plataforma de streaming Netflix, levando fãs de todo o Mundo a pedir a libertação de ambos.

Esta semana, Kim Kardashian, que chegou a visitar os irmãos no Centro de Correção Richard J. Donovan, aproveitou a onda mediática e assinou um artigo de opinião, na NBC News, a pedir que “as sentenças de prisão perpétua sejam reconsideradas”. No texto, a socialite, que passou no primeiro exame para ingressar na Ordem de Advogados da Califórnia, em 2021, destacou que “somos todos produtos das nossas experiências. Elas moldam quem fomos, quem somos e quem seremos”.

Posteriormente, Kim Kardashian explicou que o caso dos irmãos Menendez é “muito mais complexo do que parece à primeira vista” e que, na época, não foi dada uma visão correta dos acontecimentos pela comunicação social, que transformou “os irmãos em monstros”. O sofrimento e as histórias de abuso foram ridicularizados em “sketches” do Saturday Night Live. (…) como “dois miúdos ricos e arrogantes de Beverly Hills que mataram os pais por ganância. Não houve espaço para empatia, muito menos para compaixão”.

A empresária, filha do falecido advogado Robert Kardashian, que defendeu o antigo jogador da NFL O. J. Simpson, alegou que Lyle e Erik Menendez “não tiveram a hipótese de um julgamento justo”. “Naquela época, havia recursos limitados para vítimas de abuso sexual, particularmente para rapazes. (…) A consciencialização pública sobre o trauma do abuso sexual masculino era mínima, frequentemente obscurecida por julgamentos preconcebidos e homofobia”.

“Passei um tempo com o Lyle e o Erik; eles não são monstros. São homens gentis, inteligentes e honestos. Na prisão, ambos têm registos disciplinares exemplares. Concluíram vários cursos universitários, trabalharam como cuidadores de idosos encarcerados e foram mentores em programas universitários”, sublinhou a Kardashian.

Ainda que os assassinatos “não sejam desculpáveis”, Kim acredita que a revisão da pena seria uma forma de repor a justiça para os irmãos, que receberam uma punição “mais adequada para um ‘serial killer’ do que para dois indivíduos que suportaram anos de abuso sexual pelas mesmas pessoas que amavam e em quem confiavam”. “Devemos isso [a libertação] aos meninos que perderam a infância, que nunca tiveram a chance de ser ouvidos, ajudados ou salvos”, concluiu.

A procuradoria de Los Angeles está a reavaliar o caso dos irmãos, podendo os mesmos ver as penas reduzidas já a 29 de novembro, dia para a qual foi marcada uma nova audiência. A libertação de Lyle e Erik, atualmente com 56 e 53 anos, é apoiada por 24 membros da família, entre os quais os irmãos dos pais.