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Moniz parte a loiça e deixa recado à TVI: “Estagnar é colocar uma corda no pescoço”

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Um recado para “dentro”. José Eduardo Moniz escreveu um longo texto nas redes sociais com referências, indiretas, à TVI, no qual recordou “os anos de ouro” da estação.

Sem papas na língua. Depois de se mostrar crítico com as notícias de que davam conta da sua saída da estação de Queluz de Baixo, o jornalista recordou os “anos de ouro” na direção de Programas da TVI e olhou para o futuro, visando, indiretamente, a nova estrutura com Luís Cabral na administração e Felipa Garnel à frente dos formatos.

“Já lá vão uns anos, era eu ainda Director-Geral da TVI, um grupo de profissionais da empresa decidiu surpreender-me oferecendo-me esta montagem. Convivo com ela diariamente, no meio dos meus livros, no escritório de minha casa. Quando, como hoje, passo horas a trabalhar, tenho este rosto desdobrado e sorridente a olhar para mim, mesmo de frente”, começou por recordar o profissional.

“Faz-me recuar no tempo. Um tempo de ambição, de aventura, de risco, de espontaneidade, de profissionalismo, de dedicação, de competência e de coragem. Muitos desses profissionais escolheram outros rumos para as suas vidas. Por razões diversas, pois os caminhos da existência não são uniformes. Não interessa aqui escalpelizar as suas motivações. No entanto, não os esqueço. Nenhum dos que fizeram questão de me surpreender naquela altura ficou fora das minhas recordações. Vivíamos anos de ouro, onde o atrevimento e o arrojo imperavam e o sonho diário era chegar cada vez mais longe”, acrescentou José Eduardo Moniz, para, em seguida, fazer uma chamada de atenção para “dentro” da estação.

“Sou dos que acreditam que o céu é sempre o limite. No respeito pelos outros e na observância dos princípios éticos que devem nortear quem trabalha e se expõe em meio público. Somos um país pequeno, mas com uma enorme capacidade de inovar. Não há, hoje em dia, fronteiras físicas que limitem a capacidade criativa e que inviabilizem a afirmação, no exterior, do talento que por cá existe. Pelas minhas mãos têm passado e continuam a passar pessoas, mais ou menos jovens, com potencial para garantirem o futuro de uma indústria que, embora sofrendo com as debilidades do mercado, pode ser muito melhor do que aquilo que é. Quem se conforma com a adversidade morre. É uma atitude que infelizmente está longe de ser erradicada. O conformismo é o maior inimigo do progresso e da viagem pelos caminhos da modernidade. No caso das indústrias de conteúdos, estagnar é colocar uma corda no pescoço. Olhar para a Programação de uma TV da mesma forma como se olhava há cinco ou três anos é uma verdadeira atração pelo abismo”.

O consultor para a Ficção Nacional justifica, finalmente, as suas palavras: “Vieram-me estas ideias à cabeça, ao deter-me no quadro que me fez companhia nas minhas leituras desta tarde. Nas memórias que ele transporta e nas pistas que continha, no que dizia respeito à visão do futuro. Éramos todos mais novos, mas cheios de garra e vontade de triunfar. Procurando sempre estar à frente do tempo, no fundo, a arma de quem não se rende e de quem não aceita parar ou acomodar-se. Há saudades que, de facto, não desaparecem”, rematou.

TEXTO: Rui Pedro Pereira