São amigos há 20 anos e Daniel Oliveira organizava, no início da década, os aniversários de Nuno Santos. Chegou a ir à PSP apresentar queixa do assalto ao carro do amigo. Agora, vão estar um contra o outro na luta pelas audiências entre a SIC e a TVI.
Daniel Oliveira sempre assumiu ter um “pai” na Televisão: Jorge Gabriel que, nos tempos da SIC, foi o principal impulsionador para as colaborações com a casa do agora diretor geral de Entretenimento da estação, teria Daniel Oliveira os seus 16 anos e ainda imprimia uma espécie de jornal da escola, que distribuía às portas do canal. Mas, se o apresentador de “Praça da Alegria” (RTP1) foi o “pai”, Nuno Santos foi o “padrasto”, aquele que espoletou o talento do adolescente e que o levou para todo o lado desde que ambos se conhecem, desde o final da década de 90.
Com a fundação da SIC Notícias, em 2001, Nuno Santos, que já tinha estado com Emídio Rangel no arranque da SIC, contratou o jovem Daniel para a redação, ao mesmo tempo que ambos colaboravam com Luís Delgado, hoje o patrão da empresa de comunicação Trust In News, no recém-lançado site Desporto Digital e no qual o miúdo era famoso por colocar pontos de exclamação nos títulos, para dar ênfase às notícias: provavelmente, uma “herança” da revista TV 7 Dias, onde se evidenciara como o jornalista “furão” quando apanhava futebolistas no Algarve, no verão.
Nuno Santos tirou lhe a “pinta”, apreciou o talento e incentivou o, agora na televisão. A partir daqui, os dois estariam sempre um para o outro. Dos tempos do Desporto Digital, que era coordenado pelo jornalista José Manuel Freitas, a redação da altura recorda ainda hoje um episódio que prova a estima de Daniel Oliveira pelo “mestre”: uma noite, junto aos escritórios das Amoreiras, em Lisboa, o Alfa Romeo de Nuno Santos foi assaltado e foi o jovem que foi com ele apresentar queixa à polícia.
Organizador de aniversários
Depois da SIC Notícias e do diário online de Luís Delgado, nunca mais o “discípulo” deixou de seguir Nuno Santos. Até na vida pessoal. Pelo menos por duas vezes Daniel organizou as festas de aniversário do chefe. Os amigos ainda hoje recordam o jantar num grande espaço da Marginal, que liga Lisboa a Cascais, e onde um dos convidados especiais da noite foi o falecido cronista social Carlos Castro, ou aquela vez num restaurante em Santos, no qual os empregados eram famosos por comunicarem através de beijos e Nuno Santos ainda mantinha uma relação com a jornalista Andreia Vale.
E por falar em beijos as… más línguas defendem que Daniel era um protegido de Nuno Santos, mas a progressão na carreira já longe do agora novo diretor de Programas da TVI provaria que essa alcunha era, no mínimo, exagerada. Com a saída de Nuno Santos para a RTP, o jovem Daniel haveria de lhe seguir os passos e começar a ganhar fama ao lado de outra profissional preferida do amigo: Tânia Ribas de Oliveira, a apresentadora de “A Nossa Tarde”.
Ao lado do mentor, Daniel Oliveira ganhava tarimba, começava a afastar se da alcunha de miúdo e foi sem surpresa que quando regressou à SIC para assumir a direção de Programas – e dar a volta à ficção do canal com a novela “Laços de Sangue” -, Nuno Santos levou o pupilo atrás. Outra vez.
Era a quarta ocasião em que trabalhavam juntos, mas Nuno haveria de sair novamente, desta vez para a RTP. Pensou-se que Daniel o seguiria, uma vez mais, mas o jovem comunicador ficou em Carnaxide.
E, agora a solo, subiu a pulso nos conteúdos, até chegar a diretor e fundador da SIC Caras e, há um ano e meio, a responsável máxima pelo canal generalista de Francisco Pinto Balsemão.
Finalmente separados
E enquanto um progredia no pequeno ecrã, o “mestre” afastava se da caixinha mágica e fazia um caminho no deserto na televisão. Nuno Santos saiu da RTP e da direção de Informação depois do escândalo das imagens fornecidas à PSP sobre uma manifestação de polícias e emigrou para África, para trabalhar na Multichoice. Seguiu se o regresso à Europa e a aposta em Espanha, no The Story Lab.
No ano passado aconteceu, finalmente, o que os amigos há muito profetizavam: o retorno à TV nacional com a fundação do Canal 11 da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Agora, Nuno Santos sucede a Felipa Garnel na TVI. E, finalmente, o “mestre” vai enfrentar o “discípulo” que, para já, leva um ano de vantagem na conquista das audiências. Amigos, amigos, negócios à parte…








