“Sim, gostava de continuar na RTP”. Nuno Artur Silva prepara saída da administração

O (ainda) administrador da RTP com o pelouro dos conteúdos admite que gostaria de “continuar” na televisão pública, porque “o trabalho não estava esgotado”, afirmando que os últimos três anos “tiveram de tudo: entusiasmo, dificuldades e rasteiras”.

A poucas semanas da sua saída da administração da RTP, Nuno Artur Silva, o homem dos conteúdos que não foi reconduzido no cargo pelo Conselho Geral Independente (CGI), confessa que tem pena de sair.

“A decisão foi tomada e está tomada e eu vou voltar para a autoria, que é o meu terreno natural, mas se me perguntam se gostaria de continuar, a minha resposta é sim, gostava de ter oportunidade de continuar na RTP”, afirmou esta sexta-feira durante a I Jornada de Comunicação da ETIC, em Lisboa.

Ao lado de Daniel Oliveira, subdiretor de programas da SIC, e José Alberto Carvalho, pivô da TVI, no debate sobre televisão, Nuno Artur Silva sublinhou que “o trabalho feito ao longo dos últimos três anos recentrou a RTP naquilo que são as suas obrigações de serviço público”.

“Houve uma profunda alteração, com novas linhas programáticas, com o reforço da produção independente, com as mudanças no Festival da Canção, que deram o resultado que se conhece. A RTP é hoje diferente do que era quando esta administração chegou. E é evidente que estas sementes lançadas vão continuar a dar os seus frutos”, disse o ainda responsável.

Nuno Artur Silva não se pronunciou diretamente sobre a decisão do CGI, de não reconduzi-lo no cargo, mas não deixou de dizer que os últimos três anos “tiveram de tudo: entusiasmo, pelo trabalho que foi feito, dificuldades, porque foi preciso saber ultrapassar os obstáculos normais, e rasteiras, porque a RTP é uma grande empresa, muito escrutinada e com muitos interesses à sua volta”.

O ainda administrador, que deverá ser substituído nas funções por Hugo Figueiredo até ao final do mês, diz que o “trabalho não está ainda concluído, porque três anos é muito pouco tempo”, mas acredita que “o espírito vai ser o mesmo, porque o presidente Gonçalo Reis continua a liderar a equipa”.

Durante a Jornada da Comunicação da ETIC, que reuniu uma plateia de centena e meia de estudantes de várias instituições de ensino, foram discutidos outros temas, além da televisão.

No segundo debate, Rui Pêgo, diretor das rádios públicas, Pedro Ribeiro, diretor da Rádio Comercial, e Teresa Dias Mendes, jornalista da TSF, discutiram a forma como a rádio se preparou para o novo paradigma da comunicação, numa conversa moderada pelo jornalista e professor Anselmo Crespo.

Da parte da tarde, o Online foi o mote para a reunião entre Ricardo Tomé, diretor-coordenador da Media Capital Digital, Filomena Martins, diretora adjunta do Observador, e Artur Cassiano, editor executivo do DN.pt.

O último debate, que teve a criatividade como forma de chegar ao mercado como tema de fundo reuniu o publisher Ricardo Martins Pereira, o criativo e apresentador Rui Maria Pego e a youtuber Mariana Cabral, autora do canal Bumba na Fofinha.

A Jornada da Comunicação ETIC, que se realizou pela primeira vez, contou ainda na sessão de abertura como uma palestra de Gonçalo Reis, presidente da RTP, que falou sobre o papel do operador público na identidade cultural do país.

TEXTO: Ana Filipe Silveira

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