O ator está de regresso às novelas cinco anos depois da última trama e diz que este género de produto “é cansativo, por ser muito repetitivo”.
Já passaram cinco anos desde a última novela de Virgílio Castelo. Foi em “Mulheres”, em 2014, para a TVI que o ator teve a sua última personagem, antes de regressar agora na pele de Francisco em “Terra Brava”, da SIC.
Com os telespetadores habituados a vê-lo no pequeno ecrã desde “Vila Faia”, em 1982, o ator, de 66 anos, explica porque está feliz de regressar aos enredos mas defende, ao mesmo tempo, o género é um “rolo compressor”.
“Tive muitos anos sem fazer. As novelas representam um grande esforço para os atores porque há um trabalho contínuo. É cansativo, porque é muito repetitivo e devido à própria construção da novela raramente acontece as cenas terem muito material. Em dez cenas só em duas é que há conflitos fortes, como acontece nas séries, filmes ou no teatro”, começa por dizer Virgílio Castelo à N-TV.
“O prazer de representar é posto em segundo lugar pela rotina da própria novela, mas como estava há muitos anos sem fazer para mim é muito agradável este regresso”.
Desfiado a lembrar as diferenças entre a atualidade e a altura em que começou, nos anos 70, o ator rapidamente identifica a evolução na ficção nacional nos últimos 50 anos.
“Há muitas diferenças em relação ao início. Melhorou o sistema de produção, que consegue poupar mais os atores. mesmo assim ainda não conseguimos encontrar um sistema no qual gravamos oito horas seguidas, mas temos a manhã livre e vida para lá da novela. Aqui trabalhamos das sete da manhã às oito da noite e fica o dia todo ocupado”, lamenta o intérprete, que dá uma explicação para a “correria”: “Tem a ver com os nossos estúdios. No Brasil, por exemplo, como a mão de obra é muito barata, são montados e desmontados no mesmo dia e nós aqui não podemos fazer isso”.
O ator refere, finalmente, a qualidade dos técnicos. “Há muito mais gente criativa em todos os setores. Muita exigência, concorrência e competição. Os quadros são mais novos do que antigamente”.
Em “Terra Brava” Virgílio Castelo é Francisco, o marido da vilã Maria Eduarda (Maria João Luís). “A minha personagem é a de um engenheiro ligado ao azeite, ao vinho, à ruralidade. Está casado com uma mulher que é antítese dele o que faz com que exista conflito permanente. Ele vai apaixonar-se pela irmã dela, que é o papel da Rita Loureiro, o que torna as coisas mais complicadas”, diz o ator, à despedida.