Depois da queda da ditadura, Portugal regressou à Eurovisão a 22 de março de 1975, pela voz de Duarte Mendes, um dos “capitães de Abril”.
O cantor, que fez parte do Movimento das Forças Armadas e ajudou a derrubar o governo de Marcelo Caetano, no ano anterior, levou ao palco da Eurovisão o tema “Madrugada”, de José Luís Tinoco, e um cravo vermelho junto ao peito, símbolo da revolução de abril.
Da canção, que espelha a liberdade de um povo, fazem parte versos como “Canta-se a gente que a si mesma se descobre/E acordem luzes arraias/Canta-se a terra que a si mesma se devolve/Que o canto assim nunca é demais”.
Com apenas 16 pontos, não foi além de um 16.º lugar entre 19 participantes, apesar de ter sido premiada com a pontuação máxima de 12 pontos oriundos da Turquia, na estreia do novo sistema de votação, em que cada país atribuía uma pontuação de 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 ou 1 ponto aos dez concorrentes preferidos.
Em Estocolmo, na Suécia, “Ding-A-Dong” foi a canção vencedora do concurso, interpretada em inglês pela banda holandesa Teach-In (152 pontos).
Recorde aqui a atuação de Duarte Mendes no Festival Eurovisão da Canção, em 1975:
TEXTO: Duarte Lago