Depois de um ano de interregno, motivado não só pelos maus resultados, mas também devido à crise financeira que se instalou em Portugal, regressámos à Eurovisão em 2014, pela voz de Susana Guerra, mais conhecida no meio artístico por Suzy.
O objetivo era só um: o apuramento para a final, que não conhecia o nome de nenhum português desde o 18.º lugar de Filipa Azevedo, em 2010. No entanto, ainda não seria neste ano que a Europa da canção se vestiria de vermelho e verde.
Na noite da primeira meia-final, em Copenhaga, na Dinamarca, a cantora nascida na Figueira da Foz há 38 anos apresentou-se em palco com o tema “Quero Ser Tua”. Contra ela, estavam outras 15 nações do velho continente.
No final da atuação, foi tempo de fazer as contas aos votos do júri, e aí chegaram as más notícias para a delegação lusa. Por apenas um ponto, estávamos fora da grande final. Suzy terminou a prova na 11.ª posição, com 39 pontos. A última vaga tinha fugido para São Marino, 10.º na tabela classificativa.
Quatro dias depois, subiu à galeria de vencedores da Eurovisão Conchita Wurst, nome artístico de Thomas Neuwirth. O cantor, compositor e drag queen austríaco representou o país-natal com a canção “Rise Like a Phoenix” e o júri gostou tanto que lhe atribuiu 290 pontos.
Thomas criou alguma polémica junto dos fãs mais conservadores do Festival, que não gostaram de ver em palco um homem vestido de mulher, e muito menos ser-lhe atribuído o primeiro prémio. No entanto, esta não foi uma estreia. Em 1998, a cantora transexual israelita, Dana, também venceu o concurso então organizado pelo Reino Unido.
TEXTO: Duarte Lago