Joana Latino está a ser criticada por artistas portugueses após ter feito um comentário sobre o “Como é que o bicho mexe” feito por Bruno Nogueira no Instagram, durante dois meses de quarentena.
A meio do programa “Passadeira Vermelha”, da SIC, surgiu o tema da rubrica digital que o humorista esteve a conduzir, convidando diversas caras conhecidas como Nuno Markl, Cristiano Ronaldo, Nuno Lopes, Beatriz Gosta, entre outros.
“Os artistas em vez de fazerem tantos discursos miserabilistas, catastrofistas e de autocomiseração, deviam mexer-se. E um série desses artistas continuam a não se mexer e se calhar deviam olhar para este exemplo, desta equipa que teve uma trabalheira durante dois meses. Fizeram o inimaginável que foi transformar a adversidade na melhor coisa possível. Isto foi bombástico. Isto é que é ter amor à profissão e ter sentido de responsabilidade e de utilidade”, disse Joana Latino sobre o “Como é que o bicho mexe”.
Estas palavras não caíram bem em alguns artistas portugueses, nomeadamente, o realizador Vicente do Ó.
“Joana, a diferença entre os diretos do Bruno, Markl e companhia e uma companhia de actores da Covilhã é e continua a ser sempre a mesma: sentido de oportunidade, centralismo e mediatismo”, começou por afirmar o realizador. “O Bruno cresceu na televisão. Todos nós acompanhamos a sua carreira desde a piada ‘do senhor do bolo’. O Bruno tem construído o seu protagonismo entre a televisão, teatro e a rádio. O Bruno, que até podia estar quieto, preferiu fazer isto porque sim e porque pode. Não porque tenha que desesperadamente passar uma ideia de necessidade”, acrescentou.
” […] Mas não menorizes todos os outros que não são conhecidos, que fazem um live para quatro pessoas e que ao ficar em casa com os teatros fechados não tem como comprar comida. Miserável é a tua incapacidade real de ver, de empatizar e de procurar saber. Miserável é nestes momentos em que dás a ‘tua opinião’, perderes a característica mais interessante da tua profissão: curiosidade e verificação de factos”, rematou.
Por sua vez, Nuno Markl, que participou nos diretos de Instagram de Bruno Nogueira, saiu em defesa do humorista e da cultura: “Não é bonito ver o #comoéqueobichomexe ser usado como arma de arremesso contra a classe artística, como se os diretos do Bruno se revelassem, afinal, a solução mágica para os graves problemas de uma quantidade tremenda de profissionais da cultura, em extraordinárias dificuldades nestes tempos. É grosseiro e demagógico, quase num nível Bolsonárico, que se levante a questão ‘De que se queixam, se está provado que é só ligar o Instagram e criar uma oportunidade de trabalho?’. O Bicho nunca foi, nem pretendeu ser um modelo de negócio ou um ganha-pão para os seus intervenientes. Diria até que todos os que entrámos nesta aventura do Bruno somos bastante privilegiados: a nenhum de nós falta trabalho, nenhum de nós está a passar fome”.