Alejandro Benítez, de 30 anos, até agora goleador da formação argentina Central Larroque, equipa que joga nas divisões secundárias no país da América do Sul, arrumou as botas depois de ter doado parte do seu fígado a um sobrinho.
Sem arrependimentos. Milo Romani, de nove meses, é filho de Natali, irmã mais velha de Alejandro Benítez. O bebé nasceu com uma malformação – uma obstrução nos canais que transportam a bílis do fígado à vesícula – e Lulo, como o jogador é conhecido, doou-lhe parte do seu fígado.
As cirurgias realizaram-se no início de julho no Hospital Austral de Pilar, em Buenos Aires. Tio e sobrinho estão a recuperar. “Quando os médicos me operaram, descobriram que tinha duas artérias do fígado, o que é incomum. Felizmente, isso não impediu que se fizesse o transplante. A operação durou um pouco mais do que tinha sido previsto, mas correu tudo bem. A minha durou quase sete horas e a do Milo durou quase 12 horas”, contou o futebolista ao jornal “El Argentino”.
Alejandro Benítez já regressou a Larroque. Milo foi transferido para a unidade de cuidados intermédios e deverá voltar em breve ao conforto da sua casa, onde o esperam o carinho dos irmãos Teo, de seis anos, e Luca, de quatro anos.
Apesar de o ato heroico, como está a ser apelidado na Argentina, ter acabado prematuramente com a carreira do jogador, Lulo frisar estar “a viver sensações incomparáveis”. “Nunca hesitei em doar parte do meu fígado ao Milo. Não me importava nada. Sabia que era compatível e não hesitei”, confessou àquela publicação”.
TEXTO: Ana Filipe Silveira